Em um momento onde a presidenta Dilma avança na estratégia de investir na ampliação da cobertura de saúde suplementar para a parcela mais desfavorecida da população, abrindo uma lucrativa brecha para expansão desses conglomerados, em detrimento da construção do SUS público e da qualidade oferecida para os usuários, estamos resgatando uma reportagem já publicada aqui nesse blog em julho/2012 que nos ajuda a entender o que está por trás dessas negociações.
Empresas ajudaram a aumentar de 28 para 38 o número de deputados federais da bancada da saúde suplementar
Patrícia Benvenuti, da Redação do Brasil de Fato
Os planos de saúde marcaram presença no financiamento de campanhas da última disputa eleitoral. Em 2010, o setor foi responsável pela doação de R$ 12 milhões para 157 candidatos de 19 partidos. A participação das operadoras em 2010 foi mais expressiva do que nas eleições de 2006, quando as empresas do setor repassaram R$ 8,6 milhões; um acréscimo de 37,2%. Em relação às eleições de 2002, quando essas empresas destinaram R$ 1,3 milhão, o aumento foi de 746,5%.
Os dados fazem parte do estudo "Representação política e interesses particulares na saúde: o caso do financiamento de campanhas eleitorais pelas empresas de planos de saúde no Brasil", dos pesquisadores Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e Lígia Bahia, do Laboratório de Economia Política da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).