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domingo, 22 de junho de 2014

Funcionários entregam dossiê com irregularidades e pedem interdição do HC-UFPE

16/06/2014

Documento contendo várias fotos será distribuído à imprensa nesta terça-feira

Por Henrique Ferreira, do FolhaPE

Médicos e funcionários do Hospital das Clínicas (HC), no bairro da Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife, formalizaram, na manhã desta segunda-feira (16 de junho de 2014), uma denúncia junto a mais de 100 órgãos fiscalizadores competentes, entre eles o Cremepe, o Crea-PE e o Conselho Nacional de Saúde, em Brasília; na qual apontam diversas irregularidades, além das precárias condições de trabalho, estrutura e higiene do local. Na ocasião, também foi pedida a interdição da unidade de saúde, entretanto, não há um prazo estipulado para entrega do resultado que vai determinar ou não o fechamento do HC.

Timbu foi flagrado em uma das
camas da enfermaria
Intitulado “Crônica de Uma Morte Anunciada”, o dossiê reúne uma vasta documentação fotográfica, que mostra as condições precárias as quais estão submetidos os pacientes, acompanhantes e o corpo de profissionais do HC. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais de Pernambuco (Sintufepe), “os relatos dão conta de sucessivos adoecimentos de trabalhadores expostos cotidianamente a precárias e arriscadas condições de trabalho”.

O documento também aponta falhas na estrutura física do prédio, com partes da marquise se desprendendo e caindo; infiltrações em várias salas; mofo; forro danificado; fiação elétrica exposta; fezes de animais, bem como timbus, ratos, escorpiões e até cobras alojadas nas dependências do Hospital. Há também banheiros sem portas e sujos, "não oferecendo condições dignas de uso".

O Sindicato acusa a administração da EBSERH, que está na gestão há seis meses, de não ter apresentado a comunidade nenhuma solução para mitigar tais problemas. Nesta terça-feira, o Sintufepe vai realizar uma coletiva de imprensa para entregar cópias do dossiê.

*Retirado do Folha-PE

quarta-feira, 19 de março de 2014

Devaneios ufanistas: caso do HC da UFPE


Por Heitor Scalambrini Costa,
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

A tragédia vivida pelos usuários do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE) nos últimos anos, conforme frequentemente noticiado pelos órgãos da imprensa local, teve seu (aparente) desfecho em 11 de dezembro de 2013, data em que a UFPE firmou contrato com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), para que esta administrasse o HC. Tal contrato é um atestado, passado pela própria UFPE, da incompetência de seus gestores e de sua Administração Central em resolver os problemas do Hospital (a Ebserh é uma empresa pública de direito privado, criada pela Lei Federal nº 12.550, de 15 de dezembro de 2011, com estatuto social aprovado pelo Decreto nº 7.661, de 28 de dezembro de 2011).

Passados pouco mais de dois meses, o vice-reitor da UFPE publicou em um jornal pernambucano, em 1º de março, pleno sábado de Zé Pereira, um artigo denominado “Um Novo Hospital” (clique aqui para ver). Sem dúvida, os desvarios do missivista são motivo de indignação para os usuários do HC, os quais, por longos anos, sofreram com o descaso e a incompetência de seus gestores, e agora, como num passe de mágica, veem todos os problemas do Hospital resolvidos – como acintosamente descreve o vice-reitor em seu artigo.

É um evidente excesso de ufanismo fora de moda, pois a população brasileira não mais aceita conviver com a “ilha da fantasia” criada pelos que estão no poder. Sabe-se bem que a realidade do HC é outra, totalmente oposta a esses devaneios que buscam inutilmente iludir os seus usuários e a população em geral.

domingo, 5 de janeiro de 2014

De algoz a vítima: ainda sobre a EBSERH na UFPE


Por Heitor Scalambrini Costa,
Professor na Universidade Federal de Pernambuco

Merece registro o desdobramento do episódio que “aprovou” a transferência da gestão do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), o qual aprofundou ainda mais o fosso criado, nos últimos dois anos, entre a administração central e aqueles que fazem a Universidade (docentes, discentes e técnicos administrativos). Se antes apenas o viaduto da BR separava a reitoria do campus, agora um precipício foi criado.

Após o ato que culminou na fatídica reunião do Conselho Universitário (Consuni), dia 02/12/2013, quando mais uma vez ficou demonstrado quão retrógrados são o Estatuto e o Regimento da UFPE, os quais concentram na mão do reitor um poder quase ditatorial, sem consagrar espaços de representação substantiva para contestação por parte de discentes e técnicos administrativos. A composição do Consuni, hoje, está completamente divorciada da pluralidade que existe na Universidade, onde a democracia participativa é exigência vital para o funcionamento pleno dessa instituição. Lembremos que o reitor que antecedeu o atual, em suas propostas de campanha, prometeu a realização de uma estatuinte (para mudança nos estatutos). E que, apesar de eleito e reeleito (oito anos de mandato), nunca cumpriu sua promessa. O atual reitor encaminhou um processo estatuinte, cuja palavra final será dada pelo Consumi. Esse mesmo que está aí e que somente referenda as decisões do reitor.

Voltando à questão da adesão do HC a EBSERH, registre-se que não houve discussão na UFPE. Tentativas infrutíferas foram realizadas para que um debate fosse levado à comunidade universitária e à sociedade, através da TV Universitária. Mas aí a censura imperou e essa iniciativa foi vetada, pois seria, como de fato foi, muito mais fácil aprovar a adesão a EBSERH manipulando um Consuni subserviente.

domingo, 24 de novembro de 2013

Manifesto em Defesa do Hospital das Clínicas - UFPE


Manifesto em Defesa do Hospital das Clínicas - UFPE

Pernambuco, Novembro de 2013

As notícias sobre o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuci (UFPE), veiculadas na imprensa local este ano, nos desafiam a entender o que ocorre com os hospitais universitários do país e a encontrar saídas para os seus problemas.

A EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) tem sido apresentada como a única saída positiva para os hospitais. Na verdade, ela é simplesmente uma solução de mercado que abate a autonomia das universidades e constroi uma política em que os hospitais são considerados igualmente a empresas. Assim, os custos são mais importantes do que a própria Saúde, a Pesquisa, o Ensino e a Extensão.

Subscrevemos este manifesto para a sociedade pernambucana na busca de somarmos esforços e encontrarmos saídas justas, nas quais os interesses da população e da Universidade sejam de fato centrais nas tomadas de decisão sobre os rumos do Hospital das Clínicas.

Em defesa da Saúde Pública e o papel autônomo da Universidade
  
O país viveu, em junho deste ano (2013), uma mobilização social ímpar. A juventude denunciava com veemência os serviços públicos sucateados, ao mesmo tempo em que os governos corriam para atender às exigências da FIFA para a Copa do Mundo. Essa contradição não é de hoje, vem se repetindo num processo de acumulação de capital fortíssimo nos chamados BRICS, e o Brasil  é um deles: é a sétima economia mundial com a terceira pior distribuição de renda do mundo!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Compromisso e responsabilidade: o caso do HC/UFPE

20/05/2013

Por Heitor Scalambrini Costa

Em recente artigo de opinião, assinado por Edgar Victor, “Responsabilidade com a opinião pública”, publicado pelo DP (18/5), o autor, respeitado cardiologista e professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), se saiu em defesa da administração central da UFPE e da administração do Hospital das Clínicas (HC), num caso claro de negligência, de irresponsabilidade, de tolerância ao irregular funcionamento e ao sucateamento imposto ao Hospital de Clínicas (HC) pelos seus gestores.

Após análise breve e superficial, na qual tenta minimizar a situação do HC/UFPE, mostrando que outros Hospitais Universitários (HUs) do país passam por situação similar, o autor aponta a criação, pelo governo Federal, da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) como a “solução de choque” para a situação dos HUs. Cita en passant que existem “interesses outros e não puramente acadêmicos” por trás da situação calamitosa a que chegou os HUs. Mas não diz uma palavra sobre a responsabilidade dos governos e dos administradores públicos com esta situação. E nem fala que a criação desta empresa fere mortalmente a autonomia universitária, defendida pelo nobre professor em outro momento político.

Ao citar a eleição a reitor na UFPE, em 2003, que “conseguiu superar a crônica dependência das injunções político-partidárias locais” e escolher o professor Amaro Lins como um reitor “comprometido, com uma visão de estado, ligado às causas populares”, o reconhecido profissional dos problemas do coração excedeu-se. Todo mundo sabe da ligação umbilical do referido ex-reitor (2003-2011) com o Partido que chegou ao poder no mesmo tempo de sua primeira eleição. Tanto é que – após a sua gestão – o mesmo foi indicado para um relevante cargo no Ministério da Educação (Secretário de Educação do Ensino Superior – Sesu), ocupando também o cargo (vejam só!) de substituto do presidente do Conselho de Administração da Ebserh. Competência? Nem um comentário sobre a promessa de campanha do atual reitor (apoiado pelo professor Amaro para sucedê-lo) se posicionando publicamente contrário à medida provisória que criou a Ebserh. E que, depois de eleito, mudou de lado.