Publicado em Quinta, 17 Abril 2014
"O Veneno está na Mesa 2", documentário dirigido por Silvio Tendler, foi exibido ontem (16 de abril) pela primeira vez, no Rio de Janeiro, para mais de 600 pessoas. Agora, o filme segue pelo Brasil em exibições organizadas pela Campanha Contra os Agrotóxicos.
Por Camila Nobrega e Rogério Daflon
A cada 90 minutos, alguém é envenenado por um agrotóxico no Brasil. O filme O Veneno está na Mesa 2 traz à tona uma encruzilhada. Para o diretor do documentário, Silvio Tendler - que tem no currículo trabalhos como "Jango" e "Cidadão do Mundo" (sobre Josué de Castro) - está mais do que na hora de o país fazer uma escolha entre dois caminhos: uma alimentação saudável, fruto de uma agricultura familiar, ou um modelo com base no agronegócio, calcado no trinômio monocultura, baixa empregabilidade e agrotóxicos.
"Eu comecei a entender o peso da alimentação na vida das pessoas quando soube que tenho diabetes. A partir daí, me dei conta de como a comida pode levar doenças às pessoas. O filme "O Veneno está na Mesa" foi um alerta, mas o de agora traz uma alternativa. Ele te leva a escolher em que mundo você quer viver. É agora ou nunca mais."
Em sessão lotada por mais de 600 pessoas no Teatro Casa Grande, no Rio, nesta quarta-feira (16/04), o documentário de Tendler foi exibido pela primeira vez. A sessão foi dedicada às 5000 vítimas do despejo ocorrido no terreno da empresa Oi, no dia 11 abril, e que até hoje estão sem moradia.
Antes do início do debate pós-filme, o diretor foi aplaudido de pé. O longa suscitou uma ótima discussão, inspirada em cenas registradas em diferentes cidades brasileiras, onde a agricultura familiar tem sido pressionada em seu território e seus modos de vida pelo agronegócio. Há situacões tão conflitantes que beiram o absurdo, como aviões de empresas pulverizando suas plantações e, ao mesmo tempo, lançando agrotóxicos em escolas e em culturas de pequenos produtores que não usam nenhum tipo de veneno.












