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sábado, 3 de maio de 2014

A Saúde na Grécia: crise humanitária

27/04/2014

Um terço da população grega não tem segurança social. 40% não tem acesso ao sistema público de Saúde e a mortalidade infantil aumentou. 

Por Sonia Mitralias (*), do Esquerda.net 

Durante estes últimos quatro anos, padecemos na Grécia de uma política que tem consequências trágicas para as nossas vidas. O desmantelamento das estruturas da Saúde Pública e a mercantilização da saúde são os resultados - talvez os piores - da aplicação das políticas impostas pelos memorandos (da troika) dos governos destes últimos anos. O objetivo destas políticas de austeridade é transladar, de forma automática e prioritária, o dinheiro público ao pagamento da dívida e não à satisfação das necessidades básicas da população grega.



A Grécia está em plena crise humanitária. A sua população diminuiu e a esperança de vida reduziu-se em dois anos! Há 3 milhões de pessoas sem cobertura de segurança social, o que equivale a um terço da população, e 40% não tem acesso ao sistema público de Saúde. Na sua grande maioria são mulheres e crianças. O desemprego é de 28%, 65% entre os mais jovens e 67% entre as mulheres jovens.

A tudo isto, há que acrescentar um novo dado estrutural: as pessoas pobres e sem segurança social. A redução em 40% da percentagem do PIB dedicada às despesas em Saúde Pública tem-se traduzido no abandono de práticas institucionalizadas como a vacinação obrigatória, os testes para a identificação da tuberculose nas escolas, as fumigações em massa e a prevenção em geral.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um estudo sobre a Saúde: a austeridade custa vidas humanas na Europa

Abr 16/2013
Republicado no blog da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde em 05/08/2013

Por Dietmar Henning
Tradução para Revista Rubra por Carlos Pratas

Fonte: www.publico.es (Tradução da frase:
"O custo humano das políticas de
cortes: por que a austeridade mata")
Vastos setores da população europeia pagam com a sua saúde, senão com a sua vida, as medidas de austeridade ditadas pela União Europeia (UE). É esta a conclusão de um recente estudo publicado pela revista médica britânica The Lancet. As populações mais desfavorecidas são as da Grécia, de Espanha e de Portugal onde a UE impôs cortes sociais massivos.

Numerosos relatos da Grécia e de Espanha descrevem o desespero e a miséria da população devido a crise econômica: crianças desmaiam de fome nas escolas; os pais, forçados pela pobreza e pelo desespero, são obrigados a entregar os seus filhos aos centros de acolhimento; os reformados vasculham os caixotes de lixo à procura de comida; as pessoas gravemente doentes que perderam o direito, ao fim de um ano de desemprego, à assistência médica, recorrem aos hospitais tarde demais – e estão condenadas a morrer.

Um artigo recente do jornal alemão Süddeutsche Zeitung descreve também a situação catastrófica que existe na Grécia. Dado que os serviços de urgência dos hospitais só estão abertos quatro dias por semana, os doentes são obrigados a fazer, por isso, longos trajetos e a suportar longas filas de espera. “Todo aquele que subitamente sentir uma dor, sofra uma crise cardíaca ou um acidente vascular cerebral, tem que se informar para saber qual o serviço de urgência que está aberto”. Os doentes devem levar os seus próprios medicamentos, tesouras e tampões, que se encontram em falta nos estoques dos hospitais.

terça-feira, 26 de março de 2013

Na Espanha, a "Maré Branca" em defesa da Saúde não para - Isso que é luta!


17/03/2013

Republicado no blog da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde em 26/03/2013


Madri: "Maré Branca" contra a privatização da saúde

Fonte: dosdemayo.tomalosbarrios.net
Protesto realizado neste domingo na capital de Espanha foi realizado por trabalhadores de hospitais públicos, que não concordam com o projeto do governo local, do partido conservador PP, de privatizar os serviços de Saúde na cidade. Ao grupo, juntaram-se trabalhadores do setor da educação e indignados do 15M.

Por Esquerda.net

Milhares de pessoas manifestaram-se neste domingo (17 de março de 2013) no centro de Madri, convocadas pela "Mesa en Defensa de la Sanidad Pública", para protestar contra o anúncio do conselheiro de saúde do governo da comunidade madrilenha, Javier Fernández-Lasquetty, do PP, de que dentro de duas semanas comunicará as condições de privatização de serviços em alguns hospitais da cidade.

Ao meio-dia, duas colunas de trabalhadores dos hospitais públicos de Madri confluíram na Praça Cibeles e marcharam conjuntamente para a Puerta del Sol. Segundo o "Público", da Espanha, os manifestantes contestaram o Conselheiro de Saúde da comunidade madrilena, dizendo que vão perguntar a Lasquetty "quanto vai ganhar por vender a nossa saúde".

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Na Espanha: mais protestos contra a privatização da saúde marcaram o país hoje - 17/02/2013


17/02/2013 14h45 - Atualizado em 17/02/2013 15h02

Republicado no blog da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde em 17/02/2013

Médicos e enfermeiras espanhois protestam
em Madri (Foto: Josep Lago/AFP)

Espanha tem novos protestos para defender saúde pública

Novas 'marés brancas' de protesto marcaram este domingo (17/02) no país. Governo regional de Madri quer privatizar seis grandes hospitais.

Da AFP

Milhares de médicos e enfermeiras usando roupas brancas tomaram neste domingo (17 de fevereiro de 2013) as ruas de Madri e de outras 15 cidades da Espanha, em novas "marés brancas" de protesto contra as privatizações e os cortes orçamentários que, segundo eles, colocam em risco a saúde pública do país.

Carregando cartazes nos quais era possível ler "roubam sua saúde" ou "é criminoso cortar na saúde", os manifestantes convergiram a partir dos hospitais da capital até a praça Cibeles, no centro de Madri.

"Não há nenhum estudo que demonstre que privatizar a gestão dos hospitais reduz os custos. Esta privatização é feita em detrimento da saúde dos pacientes para beneficiar outros interesses", afirmou Emilia Becares, uma enfermeira de 46 anos, acompanhada de seus três filhos de sete, oito e nove anos.

O governo regional de Madri, dirigido pela direita, prevê privatizar parcialmente seis dos 20 grandes hospitais da região, assim como 27 centros de saúde, sobre um total de 270.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Crise econômica atinge OMS, que tem rombo de mais de US$ 500 milhões


20 de janeiro de 2013 | 21h 06

Republicado no blog da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde em 23/01/2013



Organização já promoveu cortes de 20% nos programas de combate a doenças crônicas e de 10% nos de tuberculose e malária

Por Jamil Chade - O Estado de S. Paulo


GENEBRA - Maior agência de saúde do mundo, a OMS é vítima da crise internacional e se vê obrigada a instaurar um amplo pacote de austeridade, que inclui o fim de programas para o combate de certas doenças, a demissão de quase mil funcionários, a inutilização de 2,5 mil impressoras e até o corte de voos em classe executiva.

Ao final de 2012, o buraco nas contas da entidade bateu um recorde, com a falta de US$ 547 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) para financiar seu orçamento de US$ 3,4 bilhões. Desde 2011, houve um corte de 20% nos programas de combate a doenças crônicas e de 10% na liberação de recursos para programas nacionais de tuberculose e de malária. Pelo menos outros 25 programas sofreram uma redução de 13%, incluindo combate ao tabaco, doenças vasculares e saúde mental.

Nos últimos 20 anos, a OMS se posicionou como ator central na definição de políticas de saúde no mundo. Já os governos passaram a desenvolver o que ficou conhecido como "diplomacia da saúde", ao usar questões sociais e doenças para defender seus interesses. O resultado foi a ampliação sem precedentes das funções da OMS, inclusive com a construção de novos edifícios para abrigar funcionários.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Médicos de Grécia, Espanha, Irlanda e Portugal denunciam efeitos da austeridade na saúde


ARTIGO | 16 JANEIRO, 2013 - 16:33

Republicado no blog da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde em 17/01/2013


Numa Carta Aberta “Aos dirigentes políticos e às autoridades de saúde da Europa” os presidentes das associações médicas e outras personalidades dos quatro países apelam a uma rápida revisão das políticas de austeridade para urgentemente evitar mais deterioração da saúde e dos serviços de saúde. O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, frisou na apresentação da carta que se trata de um movimento “internacional inédito”.

Marcha Blanca em defesa da saúde pública, Madrid,
7 de janeiro de 2013 – Foto de Imagen en Accion/Flickr

A Carta Aberta (a que pode acessar na íntegra em pdf) foi apresentada nesta terça-feira (15/01/2013) em Lisboa pelo bastonário da Ordem dos Médicos (OM), José Manuel Silva, e é subscrita pelos presidentes das associações médicas de Grécia, Espanha, Irlanda e Portugal, E mais 7/8 DAS “personalidades relevantes das comunidades acadêmicas e médicas” dos quatro países.

No documento, os médicos lembram que “os princípios políticos europeus formalmente adotados exigem que todas as políticas públicas tenham em conta o seu impacto na saúde”, declarando que “isto não está a acontecer na Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal”.

domingo, 13 de janeiro de 2013

84 dos 100 mais ricos do mundo ganharam ainda mais grana em 2012



ARTIGO | 3 JANEIRO, 2013 - 11:23


Republicado no blog da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde em 13/01/2013




Cem mais ricos do mundo ampliaram fortunas em 2012


De acordo com a Bloomberg, ganharam mais 183 mil milhões de euros no ano passado e comemoraram o ano como ótimo para os bilionários do mundo. Apenas 16 ficaram mais “pobres”.


Apesar da crise económica que afeta a economia mundial, os 100 mais ricos do planeta ficaram ainda mais ricos em 2012 e ganharam mais 241.000 milhões de dólares (183.000 milhões de euros), revelou esta quarta-feira a Bloomberg no seu resumo anual.

“O ano passado foi ótimo para os bilionários do mundo”, disse o magnata John Catsimatidis, proprietário da Red Apple Group Inc..

Só 16 dos 100 maiores magnatas do mundo viram as suas fortunas reduzidas em 2012.

O mais rico continua a ser o mexicano Carlos Slim, com uma fortuna avaliada em 75.200 milhões de dólares, e que viu crescer 21,6% os seus investimentos nas empresas de telecomunicações, no sector imobiliário ou as suas ações em grupos de comunicação. Slim é proprietário de Telmex, o que lhe dá o monopólio das comunicações no México.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Entrevista com Ruy Braga. 2012: acirram-se os conflitos, face a uma era perdida para os direitos sociais e trabalhistas


SEXTA, 21 DE DEZEMBRO DE 2012

Republicado no blog da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde em 03/01/2013



2012: acirram-se os conflitos, face a uma era perdida para os direitos sociais e trabalhistas  

Escrito por Valéria Nader, da Redação - colaborou Gabriel Brito

Mensalão e eleição serão, inegavelmente, marcas registradas do ano de 2012. Daquelas que vêm primeiro à mente ou aparecem de maneira mais imediata ao senso comum. O primeiro, no entanto, passado o momento de arrebatamento inicial, repleto de rompantes e querelas políticas, ficará para a história como mais do mesmo da política nacional, com a sua equalização por baixo a partir do vale-tudo institucional. E as últimas eleições municipais tampouco serão capazes de se registrarem mais qualificadamente na memória coletiva, vez que, no geral, não chegaram a modificar de modo substancial a atual composição de forças dominantes.

Na economia mundial, a desaceleração voltou a mostrar força retumbante em 2012, mais notadamente no continente europeu, às voltas com as imposições barbarizantes da chamada Troika. Um processo que, ressalte-se, já vem se delineando bem antes da explosão da crise financeira internacional de 2008, e que não chega a ser surpreendente para quem acompanha o desenrolar da vertente econômica dominante – norteada pela satisfação dos interesses do capital financeiro e das grandes corporações internacionais.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Espanha manifesta-se novamente contra cortes no orçamento da Saúde e privatizações


09 de dezembro de 2012 | 17h01

Fonte: http://www.cumbytel.com

Trabalhadores da saúde protestam contra cortes e reformas na Espanha
Reuters

Milhares de trabalhadores da área da saúde, em greve desde o mês passado, fizeram uma manifestação em Madri para protestar contra cortes no orçamento e planos do governo regional da capital espanhola de privatizar a administração de hospitais públicos e centros médicos.

Essa foi a terceira vez que médicos, enfermeiras e profissionais da área de saúde fizeram uma manifestação, desde que as autoridades locais apresentaram um plano em outubro para colocar seis hospitais e dezenas de clínicas médicas sob gestão privada. O plano também faz com que os pacientes precisem pagar uma taxa de um euro por receita médica.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Espanha: protesto de repúdio a cortes do orçamento da saúde e contra a privatização de hospitais


28/11 00:56 CET
Copyright © 2012 euronews

Setor da saúde pública madrilenha em revolta

Milhares de profissionais da saúde e pacientes participaram em Madrid (Espanha) do protesto contra os cortes na saúde e contra a decisão do governo regional de privatizar a gestão de alguns hospitais da  comunidade.

Percebam na foto o quanto o protesto foi massificado! (Fonte: Facebook)
Com a presença de diferentes sindicatos da saúde, os manifestantes defendem que é preciso evitar que o  setor privado meta a mão na parte lucrativa do sistema.

“A coisa mais triste é que estão a transformar o sistema num mercado. A saúde, como a educação não deve ser um mercado. Estão a criar centros de saúde, como criam lojas”.

“Não podem privatizar uma coisa que pertence a todos e que está pago pelos nossos impostos”.

domingo, 18 de novembro de 2012

Espanha e Portugal fazem greve conjunta inédita


15/11/2012 | Copyleft

Foto: UGT


Milhões de trabalhadores da Península Ibérica aderem ao movimento que pediu uma mudança na política de ajuste fiscal. Também houve paralisação na Itália, Grécia, Malta e Chipre, enquanto que em outros 20 países europeus os cidadãos realizaram marchas contra as políticas de austeridade. Parlamentos foram alvo de manifestantes, que questionam orçamento com menos gastos sociais. A reportagem é de Naira Hofmeister e Guilherme Kolling, direto de Madri.

Por Naira Hofmeister e Guilherme Kolling

Madri - São muitos os fatos que tornam histórica a greve geral deste 14 de novembro na Espanha. É a primeira vez, desde a restauração da democracia no país na segunda metade dos anos 70, que os sindicatos convocam duas greves gerais no mesmo ano e contra um mesmo governo - o conservador Mariano Rajoy, do Partido Popular, que também foi alvo de uma paralisação no final de março.

E agora, de forma inédita, o protesto ultrapassou as fronteiras e foi acolhido em Portugal. Além da greve geral na Península Ibérica, que levou milhões às ruas, trabalhadores de Itália, Grécia, Malta e Chipre cruzaram os braços. E em outros 20 países, entre eles Alemanha, Bélgica e França, onde o dia foi laboral, manifestantes saíram às ruas para protestar contra as políticas de austeridade defendidas por instituições europeias e aplicadas na grande maioria das nações do continente.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Divulgando: Conferência "A crise econômica européia e a saúde na Espanha"


Arte: Adilson Manoel Godoy


Conferência “A crise econômica européia e as repercussões nos sistemas de saúde: O caso da Espanha"

Desde as últimas décadas do século XX vêm-se presenciando reformas dos sistemas sociais, entre eles, os sistemas públicos de saúde. Todavia, a atual crise econômica tem aprofundado essas transformações, restringindo o alcance de direitos sociais. Entendendo que o conhecimento e compreensão dessas manifestações são importantes para os estudiosos e profissionais da saúde, a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP promove a conferência “A CRISE ECONÔMICA EUROPÉIA E AS REPERCUSSÕES NOS SISTEMAS DE SAÚDE: O CASO DA ESPANHA”, com o Professor Luis Andres Lopez Fernandez, da Escuela Andaluza de Salud Publica/Espanha.
CONFERÊNCIA

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Um milhão exige demissão do governo


Maior manifestação desde o 1º de maio 74 exigiu a demissão de Passos Coelho, a saída da troika de Portugal e o fim da austeridade, que "deu maus resultados em todo o lado no mundo”. Organizadores propõem uma greve geral popular que pare efetivamente o país e convocam uma nova manifestação para a frente do palácio de Belém na 6ª feira às 17h, dia do Conselho de Estado.

ARTIGO | 15 SETEMBRO, 2012 - 20:09

Próxima manifestação: sexta-feira às 18 horas diante do
Conselho de Estado em Belém. Foto de Paulete Matos

O repórter do Esquerda.net esteve há 38 anos na manifestação do 1º de maio em Lisboa, em 1974, e apenas essa – que terá reunido um milhão de pessoas – foi maior que aquela que este sábado decorreu entre a Praça José Fontana e a Praça de Espanha. Mesmo a manifestação da “Geração à Rasca”, a 12 de março do ano passado, que reuniu cerca de 200 mil pessoas, foi superada largamente pela que desfilou sob o lema “Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas”.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Onda de suicídios choca a Grécia


Em 16 de julho, um empresário e pai de três filhos se enforcou em sua loja na ilha de Creta. Um homem de 49 anos de Patras foi encontrado por seu filho. Ele também se enforcou. Em 25 de julho, um homem de 79 anos, da península de Peloponeso, se enforcou com um cabo preso a uma oliveira. Em 3 de agosto, um garoto de 15 anos se enforcou em Pieria. E em 6 de agosto, um ex-jogador de futebol de 60 anos imolou a si mesmo em Cálcis.

Eles também são relatos da Grécia, relatos que, à primeira vista, parecem não ter nada a ver com a economia do país. Os relatos se juntam para formar uma estatística sombria, levantando questões sobre o que está provocando os suicídios e se a incidência elevada é apenas uma coincidência.

A reportagem é de Barbara Hardinghaus e Julia Amalia Heyer, publicada no jornal Der Spiegel e reproduzida pelo Portal Uol, 19-08-2012.

As pessoas veem o suicídio como uma saída para a crise que tomou conta do país e de suas vidas? Elas estão cedendo antes que as coisas piorem ainda mais? 

A Alemanha e o Fundo Monetário Internacional (FMI) são contrários a um novo pacote de ajuda a Atenas. O país precisa levantar pelo menos 40 bilhões de euros. A Grécia pode muito bem falir oficialmente em breve.

A Grécia, um país cuja Igreja Ortodoxa é contra o suicídio, sempre apresentou uma das taxas mais baixas de suicídios na Europa. Mas, agora, foram 350 tentativas de suicídio e 50 mortes em Atenas apenas em junho. A maioria dos suicídios ocorre entre membros da classe média e, em muitos casos, o ato é realizado em público, quase como se fosse uma apresentação teatral.

Desespero por dignidade

Em 4 de abril, logo após as 9 horas da manhã, um farmacêutico de 77 anos se matou com um tiro na Praça Syntagma, no centro de Atenas. Dimitris Christoulas, um homem de baixa estatura, se recostou em uma das grandes árvores da praça, segurou a pistola contra sua têmpora e puxou o gatilho.

“Meu pai era uma pessoa política, um lutador”, diz sua filha, Emily Christoulas. Semanas após a morte de seu pai, ela está sentada em sua sala de estar em Chalandri, um subúrbio no norte de Atenas. Ela é uma mulher esbelta de 42 anos vestindo jeans largos, com cabelo preto curto com uma mecha grisalha.

O pai dela era politicamente ativo, um membro do movimento “Não Pagaremos”. Ele pedia repetidamente por uma revisão internacional da dívida nacional da Grécia, porque estava convencido de que ela não era culpa do povo. Ele ia todo dia ao centro de Atenas no ano passado para participar dos comícios e para prestar ajuda, geralmente na tenda da Cruz Vermelha.

Quando ele foi à Praça Syntagma pela última vez, em 4 de abril, enviou para sua filha uma mensagem de texto consistindo apenas de uma sentença breve: “É o fim”. Então ele desligou seu celular. “Foi exatamente às 8h31min”, diz Emmy, pegando uma cigarrilha de um maço amassado. Quando ela não conseguiu contatar seu pai por telefone após receber a mensagem de texto, ela e duas amigas foram ao apartamento dele.

Ela então ouviu a notícia no rádio de que alguém tinha se suicidado com um tiro sob uma árvore da Praça Syntagma. “Primeiro a mensagem de texto, depois a notícia”, ela diz. “Eu tinha certeza que era ele.”

Desde a morte de seu pai, Emmy Christoulas tem tomado muitas vezes o metrô até a praça, a nove estações de seu apartamento. Ela visita o memorial ao pai dela duas ou três vezes por semana, geralmente ao anoitecer. Quando o faz, ela mantém uma curta distância da árvore.

A praça está tranquila, onde uma banda está tocando e o som de violão viaja pelo ar quente. Christoulas cruza os braços sobre o peito e olha para as pessoas que param no memorial. Ele consiste de coroas de flores e alguns poucos animais de pelúcia encostados na árvore, assim como bilhetes pregados no tronco. “Não caminhe como um robô! Abra seu espírito!” dizia uma em letras vermelhas, escrita em um pedaço de papelão. As palavras escritas por Dimitris Christoulas no bilhete de suicídio estão gravadas em uma placa de mármore:

“O governo aniquilou todos os traços da minha sobrevivência, que se baseava na pensão digna para a qual contribuí por 35 anos sem ajuda do Estado. Eu não vejo outra solução do que este fim digno à minha vida, para que não me veja revirando latas de lixo em busca de sustento.”

sábado, 18 de agosto de 2012

Médicos se rebelam para continuar atendendo imigrantes ilegais na Espanha


Terça, 14 de agosto de 2012


Médicos que se rebelam para atender imigrantes ilegais na Espanha


Os estrangeiros que não contam com documentação regularizada terão que pagar para usufruir dos hospitais e centros de saúde públicos, a partir do dia primeiro de setembro. A lei já provocou a reação da Sociedade de Médicos da Família. 

A reportagem é publicada pelo jornal Página/12, 10-08-2012. A tradução é do Cepat

A Espanha vive uma insurreição no setor da saúde devido a uma impopular iniciativa do governante Partido Popular(PP). Mais de 900 médicos não deixarão de atender os imigrantes ilegais, em oposição à reforma na saúde estimulada pelo Executivo, de Mariano Rajoy, que pretende deixar os imigrantes sem documentação fora da assistência gratuita. 

A medida não convence os profissionais da saúde. [A medida] Não resolve o problema, e, do ponto de vista profissional, nós, da Sociedade de Médicos da Família, continuaremos prestando assistência exatamente da mesma forma como fizemos até agora”, disse Salvador Tranche, titular da Sociedade. A normativa entrará em vigor no dia primeiro de setembro, como parte de um pacote de cortes do governo conservador, no intuito de reduzir o gasto público de 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2011, para 3% em 2014.

O jornal “El País”, da Espanha, esta semana publicou que a ordem que o governo de Rajoy prepara estabelece que os estrangeiros menores de 65 anos, que queiram ser atendidos em hospitais e centros de saúde públicos, deverão pagar 710,40 euros por ano, próximo de 59, 20 euros por mês. Acima dos 65 anos, o custo subiria para 1864,80 euros por ano, ou seja, 155,40 euros por mês. O relatório econômico, que acompanha o documento apresentado pelo Ministério da Saúde espanhol, conclui que “este novo convênio não teria impacto econômico significativo”. A medida se desprende de um decreto, publicado em fins de abril, que delimitava o acesso à saúde pública, e de um segundo decreto, publicado no Boletim Oficial do Estado espanhol, que traz mudanças, como a de mover os maiores de 26 anos, que não fazem parte dos inscritos na Previdência Social, para a condição de assegurados e deixar fora aqueles que possuem rendas superiores aos 100.000 euros anuais.

Fundamentalmente, espera-se que o projeto atinja aqueles que não se encontram assegurados, nem sejam beneficiários do Sistema Nacional de Saúde. A partir de setembro, nesta situação estarão os imigrantes sem autorização de estadia no país. Como se não bastasse, os estrangeiros nessa condição deverão cumprir com dois requisitos: ter ao menos um ano de domicílio na Espanha e não serem beneficiários de um sistema de saúde pública. Ainda não é conhecido o número oficial de possíveis afetados.

No entanto, se forem comparados os dados do censo e as altas na Previdência Social, uns 150.000 estrangeiros se encontrariam em situação irregular em relação ao projeto que o governo planeja. Não obstante, próximo de 15% desse grupo são menores [de idade], e para eles haverá cuidados de saúde pública. A assinatura desses convênios será voluntária. Não cobrirão o pagamento de remédios ou de transporte médico, que seriam da completa responsabilidade das pessoas que assinarem. No caso de não pagamento de uma das cotas, o beneficiário terá como castigo três meses de suspensão do convênio (durante esse tempo ficará suspenso dos serviços de saúde não emergenciais). Se nesse período pagar a dívida, o convênio continuará em vigor. Caso prossiga com a dívida, o direito de assistência à saúde caduca.

O jornal espanhol destaca que no caso das imigrantes grávidas – aquelas que a saúde pública precisa obrigatoriamente atender durante sua gravidez, no parto e no pós-parto – e dos menores estrangeiros, será mantido o acesso nas mesmas condições dos espanhóis, ou seja, gratuitamente. Não obstante, terão um bônus farmacêutico de 40%. As vítimas do tráfico e aqueles que pediram asilo na Espanha também poderão ter acesso à saúde pública. A partir desta mudança, o Ministério da Saúde quer estabelecer uma dupla via entre os que são atendidos pela saúde pública: que são assegurados (e que agora pagam mais do que antes por medidas como o co-pagamento farmacêutico) e aqueles que não são, que poderão acessar ao sistema público pagando, como se faz no âmbito da saúde privada.

“O que os imigrantes ilegais precisam fazer é entrar legalmente, e isso é uma reflexão que faço em caráter geral”, disse Rafael Hernando, representante do PP no Congresso. Ele afirmou que Espanha deve deixar de ser o paraíso da imigração ilegal e convidou os que estão em situação irregular para retornarem ao país de origem. “Não vejo como um organismo oficial irá assinar um convênio com alguém que está em situação irregular”, respondeu José Martínez Olmos, do Partido Socialista Espanhol (PSOE) e porta-voz para a Saúde no Congresso, que duvida da base legal da medida.

“Enfermidades como diabetes, exige um longo tratamento, não ficariam suficientemente cobertas. O mesmo acontece com as infecções, que quando não bem tratadas são uma ameaça. O governo terá que tornar a retificar, porque não se pode continuar com remendos”, sugeriu o porta-voz. De sua parte, o porta-voz da Esquerda Unida, Gaspar Llamazares, na Comissão de Saúde do Congresso, acusou o governo de tentar criminalizar os imigrantes irregulares, retirando-lhes a atenção à saúde ou as condicionando ao pagamento de um convênio. “O preço que colocam para ao asseguramento faz parte de toda uma definição da concepção de 'cidadãos de terceira' que o PP possui sobre os imigrantes, e, também, da sua concepção de que a saúde não é um direito, porém uma fonte a mais de negócio”, sentenciou.

PARA SABER MAIS:



*Retirado do IHU Online
**Republicado aqui após revisão, contendo pequenas alterações de texto